sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Tempo



Há o momento em que estás dentro de mim
e o instante em que desejo que estejas dentro de mim
e a fracção de segundo em que estes dois tempos se esbatem.





quarta-feira, 29 de maio de 2013

Saudades

Vendaval de emoções
Pensamentos e sensações..
Onde estás Ó meu Amado?
Posso senti-lo mas não posso tocá-lo!

Fecho os olhos
E por um momento .. eterno momento
Tenho que me conformar
Em ter-te assim .. longe dos olhos (no coração) ..
Apenas no olhar ...somente no olhar

Oh triste trajetória..
Que dista de algo assim normal..
Uma questão de tempo ..
Não é algo normal ..

O que é a normalidade para alguém que ama?
O que é a eternidade para quem já a tem?
Eu sei .. é uma questão de tempo ..

Mais uma vez o Tempo e a Emoção se confrontam ..
A dúvida de querer o que não se pode ter ..
O tal Tempo...uma questão de tempo .. não é algo assim tão normal!
E a estranha sensação de saber
De sentir
De tocar
Olhar
Este amor .. um amor assim transcendental..

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Rèverie


O homem tinha luz nos olhos, 
Ou se não era luz era qualquer coisa semelhante. 
Cantava com as estrelas,
Contava e encantava... 
Havia um subterfúgio incerto na doçura do seu canto, 
Uma promessa suave do firmamento..
Paradiso!
Foi lá que nos conhecemos antes de nos encontrarmos. 
Os corpos ocultam a alma que os dedos desnudam. 
Lentamente... 
Na estranha grandeza do encanto há um refúgio onde aprendemos a renascer. 
As palavras jamais alcançam, mas o silêncio sabe. 
E diz...

quarta-feira, 6 de março de 2013

Da tua ausência, indiferença...


Olhos profundos, perdidos 
Sentimentos bagunçados, coração ferido.
A ausência torna-se indiferença,
um ar frio, sinistro, repugnante.
Escondendo mentiras ou até versando a verdade,
evidenciando o pensamento vil. 
Dúvida torturante...

Descontrolada 

Pensamento avulso, naufragado, estático

Anestesiada

Pensamentos indistintos, inexistentes talvez!
Necessário movimento, afim de evitar a dor, 
Mente em total inércia..
Torpor
Anestesia 
A alma extasiada pela falta de argumentos. 

E ainda assim...

O silêncio tudo devasta, assola...
Faz morrer a noite e nascer a aurora
Olhos abertos, desejando, esperando, apoiando...
Momentos, eventos, tentativas
E ainda assim nada, 
Nem sequer uma palavra, 
Um sorriso, 
Um olhar,
NADA
Nada, além de uma visão amarga!!!


Enfim...

CHUVA, chova e molha-me o rosto...
Mascara essa lágrima insistente de cor
Anuvia-me a dor

Dá-me a música necessária
Para dançar os passos que não recordo mais
Água límpida molha, 
Leva embora 
A dor dos mortais!

A dor não tem hora
O amor é capaz 
de fingir 
dissimular
ignorar
PARA QUE O SEMPRE SEJA JAMAIS!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Volenti nihil difficile (A quem quer nada é difícil)


...e  você vem, eu peço e você vem, quanto mais desejo.. você vem .. aumenta meu desejo ... você vem .. , eu hesito,  eu grito, minha cabeça anda e desanda num turbilhão de perguntas, por que???, como???, ainda???, por que ainda sou movida por você???, e aí você vem.. e eu me questiono, me perco, me desconserto, me recomponho ... o desejo e o pensamento .. momento ... 

Ars longa, vita brevis, occasio praeceps, experimentum periculosum, iudicium difficile (A vida é curta, o trabalho é árduo, a oportunidade é fugaz, a experiência é traiçoeira e o julgamento é difícil.)

Pensamentos ... ahhh traiçoeiros e eficazes ... tornam-me escrava de um desejo ... e você vem ... seu adorável mau humor, suas mãos me rodeam ... sua boca me condena .. seu perfume enfeitiça, fascina .. hipnotiza ..mas você vem, você vem, você sempre vem, e eu me dou conta disso, você está aqui e eu também, você veio, você quis vir, se é fuga, amor, covardia, desculpas, não importa, mesmo que eu diga que não me importo com as consequências... você vem, mesmo que você erre e eu também, você vem, mesmo sem saber você vem...

Alea jacta est (A sorte está lançada.)

...a mala num canto .. a cama pra tirar o tênis e deitar, você vem, o rosto cansado, corpo ardendo ... um resquício de esperança, um beijo, se tudo acontece ou nada acontece, você vem... e se você ainda vem, eu ainda vou contigo, e eu fico te olhando sem você notar e pensando que você vem, você vem, você vem.. pensamentos voltam a atormentar ... desejo e pensamento ... seus olhos, seu corpo ... ai ai ... só me resta sonhar .. 

Ex abundanctia enim cordis os loquitur (A boca fala do que o coração está cheio.)

Esperanças, sonhos, desejos, aspirações ... entre um pensamento e outro a boca fala, o corpo sente e o coração deseja ... uma imensidão de sentimentos ..você vai e com a partida fica a esperança ... QUE VENHAS .. QUE VENHAS .. QUE VENHAS ... 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Hodie mihi, cras tibi - Hoje por mim, amanhã por ti.


Passado e Presente ... Lembranças, momentos ..
Quem ès tu que trazes o vento ?
Paro de pensar .. enfureço .. Sede ao calar .. entorpeço ...
Eis, bem na minha frente o MEU DESEJO ..
Amor e Ódio  ... o Remédio e a Dor ...
Da árida terra, fria, crucial .. Um simples olhar, MORTAL ..
Sempre assim ... DUAL ...

Absens absentis curator esse nequit (A ausência não cura o ausente) ...

Noite e mais noites, passado e presente mais uma vez se confrontam ..
Quem és tu? Quem sou eu?
Tempo passa, tua ausência me arrasta ..
A indiferença cala e traz com ela o gosto amargo do vinho ..
Ira e amor, dor e torpor ..

Inconstância ... 

Lembranças, momentos .. raiva, ódio, rancor ...
O vinho é capaz de despertar nos corações coisas que somos incapazes de fazer ou pensar ...
Rosas, vida, alianças divididas, dividido meu pensamento ...
Eis que calas o momento ..
E a dúvida, que sempre foi certeza, transborda ...

Amor tussisque non celantur (Tosse e amor ninguém esconde)..

E ainda sim, sem te ver ..
Ter e não ter .. querer e não poder ...
Tudo me remete a você ...
Passado e Presente - VOCÊ !!!



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Memórias


É .... Tinhas (e tens ainda) o corpo alto e rijo, lembrando uma árvore.

Tinhas (e ainda as têm) costas largas e peito farto (que me amparava, acalmava), lembrando uma montanha, ao fundo uma floresta. Tinhas as mãos grandes (sim, sinto falta delas, e como sinto), enormes, mas tocavas leve, incendiando, trazendo paz, às vezes as duas coisas.

Tinhas o rosto claro, como os olhos, por vezes escuros, e balançavas entre ti e mim, como eu, perdida e encontrada neste nosso amor ( eterno amor).

Por vezes ríamos, e a tua boca era então o meu altar, como o teu amor, ou uma frase tua. E dormir, sabes, nunca foi tão bom – como acordar de manhã e começar logo a sorrir.

Tinhámos tudo e não tinhámos nada. 

Partimos...

E como se ecoasse perfeitamente sólido tudo, na mais pura e doce harmonia, tu, retornastes. Uma manhã cinza ... Tinhas os olhos vítreos e o suor escorria-te pela testa. As pernas estavam secas, do medo. Olhavas-me, como se sofresses (sofrimento que ainda me consome).

E de repente, como se o improvável fosse impossível, tu me olhavas e dizia: 

Vá viver sua juventude, eu a liberto, em nome do amor que tenho por ti! Eu já vive alguns bons anos. Vá, te esperarei aqui. 

Passaram-se três anos desde que te decidiras a fazer a tua viagem.

Para mim, um século, uma eternidade; e isso tu parecias não compreender.

As noites em claro, as lágrimas sufocadas pela almofada, olhar o teto escuro durante horas à procura de uma explicação para o fim do nosso amor.

Foi quando o destino parecia brincar com o tempo, e o tempo me consumia. 

Regressaste num dia ensolarado, com um monte de fotografias, lembranças e muitas histórias para contar, um sorriso nos lábios e uma notícia, ou melhor alguém (que não eu).

Esperavas o meu abraço, mas ele não veio (travei, permaneci inerte, entorpecida, seja lá o que for) .

Esperavas uma festa, música e flores pela casa, talvez até a minha indisponibilidade.

Suponho que nunca imaginaste que eu não tinha vida para além de ti ou que eu iria te amar para sempre.

Mas nunca é demasiado tempo, mesmo para quem ama, sobretudo para quem fica.

Tempo, tempo, tempo, inquestionável e ao mesmo tempo indecifrável.

E ainda assim, aquele amor (nosso amor) permanece, ferve, pulsa apesar de nossas escolhas.

Foi nesse dia que comecei a acreditar que és tu (que sempre foi e pelo sempre será).

E hoje digo ( e o compreendo) Vá viver, eu o liberto, pois, finalmente, aprendi a te amar.

Tempo, tempo, tempo ... nunca será demasiado para quem ama e sabe esperar!!!!